domingo, 24 de maio de 2009

Empresa de quintal fatura R$ 10 milhões

Hoje, 12 anos depois de começar a importar eletrodomésticos da Itália, Diamantino Netto emprega 26 pessoas e fatura mais de R$ 10 milhões
 

Aos 45 anos de idade, depois de trabalhar desde os 23 em empresas de exportação, Diamantino Netto foi demitido. A empresa do ramo de fogões da qual era funcionário havia sido vendida para uma multinacional.

Era a primeira vez que ele ficava desempregado e, pouco tempo depois de começar a procurar emprego, descobriu que era considerado velho para o mercado. Netto não desistiu e resolveu abrir seu próprio empreendimento na mesma área que já tinha larga experiência: eletrodomésticos. Seu primeiro passo foi ir a uma feira do setor na Alemanha, pois acreditava que ali haveria mais oportunidades de negócios.

Sua intuição não lhe traiu: antes mesmo de chegar ao local do evento, encontrou um amigo com uma proposta de negócio. A Elettromec, uma empresa italiana de eletrodomésticos, estava à procura de um representante de vendas no Brasil.

Assim que retornou da viagem, retirou a televisão da sala de sua casa e abriu lá mesmo seu escritório, uma representação da Elettromec no Brasil. Logo de início, a rotina doméstica atrapalhava o andamento da empresa, pois havia somente uma linha telefônica, e todos - a esposa, os filhos, a empregada – atendiam os telefonemas, atrapalhados, muitas vezes, pelos latidos do cachorro de estimação.

Netto precisava economizar tanto dinheiro nessa época que trabalhava três turnos. Um dos motivos? Aproveitar os horários de menores tarifas para fazer as ligações interurbanas.
Devido a esses e outros empenhos, ele conseguiu juntar algum recurso e comprou mais duas linhas telefônicas, exclusivas para o escritório, e contratou uma estagiária para atendê-las.
Com o aumento dos pedidos, ele sentiu a necessidade de ter mais uma funcionária. Depois de cerca de um ano no local, a sala ficou pequena demais para a equipe e eles se transferiram para um galpão alugado.

De representante de vendas a importador
Netto percebeu que havia demanda para os produtos da Elettromec no Brasil, mas sabia que os interessados, em sua maioria refinadas lojas, não queriam lidar com os trâmites da importação.

Por isso, em um encontro com os empresários italianos da Elettromec, Netto pediu que eles lhe dessem um contêiner pequeno com eletrodomésticos, o qual ele pagaria após a venda. Para postergar o pagamento das taxas de importação, ele colocou as mercadorias recebidas em uma alfândega seca, onde os impostos só são pagos a cada retirada de produto.

Transportou cada peça vendida com seu carro. Nesse sistema, foi preciso três meses para vender tudo e finalmente quitar seu primeiro contêiner. Desde então ele não parou mais de importar.

Hoje, 12 anos depois de abrir o escritório na sala de sua casa, a empresa tem sede própria, paga - “Graças a Deus” – o salário de 26 funcionários e importa mais de 60 contêineres por ano. Em 2008, a Elettromec Brasil cresceu 20% e faturou mais de R$ 10 milhões.
A empresa também já não negocia mais somente com a homônima italiana, apesar de manter a marca depois de um acordo. Hoje, vende produtos de mais outras três fabricantes do mesmo país.

Recentemente, para ampliar o mercado e fazer frente à crise financeira, Netto passou a importar da China produtos para classes mais baixas e pretende colocar sua nova marca, a Mira, nas grandes redes varejistas populares no segundo semestre deste ano. A nova linha já corresponde em volume por mais de 50% das vendas, embora o segmento mais luxuoso ainda fature mais.

Para 2010, Netto pretende iniciar fabricação própria em busca de liderança no segmento.

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